Quando a violência vira piada, a sociedade adoece.
- comunicacaoespiral
- 18 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de set. de 2025
Quando falas violentas são tratadas como “só brincadeira”, algo muito grave acontece: a violência começa a parecer normal.
E quando ela parece normal, deixa de ser combatida. Fazer piadas com abuso sexual infantil não é apenas insensível — é uma forma de perpetuar o silêncio, o descaso e a impunidade. É rir de uma dor que destrói vidas. É transformar em entretenimento aquilo que deveria gerar revolta.

Esse tipo de conteúdo reforça estigmas, desinforma, revitimiza quem já sofreu. E pior: pode validar pensamentos e comportamentos de agressores, que se sentem encorajados por uma sociedade que, em vez de reagir, ri.
As palavras têm força. Elas educam, legitimam, moldam a cultura. Quando o abuso é tratado como piada, ele perde a gravidade que tem — e isso abre espaço para que continue acontecendo, escondido, banalizado e silenciado. Não há humor onde há sofrimento real. Não é exagero nem censura exigir limites. É um compromisso com a proteção da infância. É uma escolha ética: de que lado estamos? Como sociedade, precisamos reconhecer que temos um papel ativo na construção de um ambiente seguro, respeitoso e consciente. Não basta apenas não rir — é preciso reagir, educar, denunciar, acolher. Cada vez que nos calamos diante de uma piada violenta, de um comentário abusivo ou de uma "brincadeira" ofensiva, contribuímos para a manutenção de uma cultura de violência.
Com as crianças do nosso projeto, por exemplo, abordamos por meio de uma atividade esse tema. Mostramos imagens de situações de violência e pedimos que elas analisem, reflitam e reproduzam de forma diferente, estimulando a prevenção e empatia para que elas se tornem multiplicadores.
Cuidar da infância é responsabilidade de todos. Isso começa nas pequenas atitudes: no que escolhemos compartilhar, no que toleramos, no que silenciamos ou rebatemos. Precisamos criar espaços em que a empatia seja mais valorizada que a audiência, onde o cuidado pese mais que o clique fácil.
A transformação social começa com a coragem de não normalizar o inaceitável.
Que possamos ser vozes firmes contra o silêncio e ações concretas na defesa de nossas crianças e adolescentes. Porque uma sociedade que ri da dor não é saudável — e não pode ser considerada justa.Como dito pelo teólogo Bonhoeffer, ‘o silêncio diante do mal é, em si mesmo, mal.’ Cada vez que ignoramos uma ‘piada’ violenta, estamos compactuando com ela.”
“Djamila Ribeiro, ‘o racismo mimetiza-se de brincadeira e, por isso, torna-se invisível aos olhos de quem o perpetua’.
No Núcleo Espiral, trabalhamos todos os dias para romper o silêncio, fortalecer a rede de proteção e promover ações que coloquem a infância no centro do cuidado. Acreditamos que é possível transformar a cultura da violência por meio da escuta, da prevenção e da mobilização de toda a sociedade.
Oferecemos formações, rodas de conversa e metodologias que ativam fatores de proteção e estimulam uma nova consciência coletiva: aquela que não se cala, que acolhe, que educa e que age.
Porque proteger crianças e adolescentes não é um ato isolado — é um compromisso contínuo de todos nós. E juntos, podemos construir um futuro em que nenhuma dor seja tratada como piada. Você pode contribuir de forma simples e sem custo, doando sua Nota Fiscal Paulista. Acesse nosso site (https://www.nucleoespiral.org.br/nota-fiscal-paulista) e veja o passo a passo para se tornar um apoiador.
Juntos, podemos doar, cuidar e transformar realidades. Autoras: Juliana Ayres Diretora de relações institucionais do Núcleo Espiral, atua na ONG para viabilizar projetos e captação de recursos. Carol Troque Designer da área de Comunicação do Renovar da ONG Núcleo Espiral







