Ele aprendeu a revidar. Até descobrir que podia se aproximar de outro jeito.
Como o brincar pode ajudar crianças a lidar com conflitos, enfrentar o bullying e descobrir novas formas de se relacionar? Conheça a história de Lucas.

Quando Lucas, chegou ao projeto, tinha 10 anos e enfrentava dificuldades para se relacionar com outras crianças. Sentia-se deslocado, tinha dificuldade para se comunicar e, muitas vezes, suas atitudes impulsivas acabavam provocando conflitos com os colegas.
A convivência ficou ainda mais difícil quando ele passou a sofrer provocações e exclusões relacionadas ao próprio corpo. As situações afetavam sua autoestima e aumentavam a sensação de não pertencer ao grupo.
Em casa, Lucas ouvia que precisava se defender. Diante das provocações, aprendeu a responder revidando. Assim, situações que já eram dolorosas acabavam se transformando em novos conflitos.
Mas será que se defender precisava significar atacar de volta?
Quando o brincar abre novas possibilidades
No trabalho com as crianças, os facilitadores do Núcleo Espiral propõem atividades que permitem experimentar diferentes formas de expressão e convivência. O brincar oferece oportunidades para que sentimentos, conflitos e desejos apareçam de maneiras que nem sempre são possíveis em uma conversa direta.
Em uma dessas atividades, cada criança deveria interpretar um personagem. Lucas escolheu ser o Davizinho, um bebê de uma novelinha do YouTube de que gostava.
A escolha abriu uma possibilidade inesperada.
Ao entrar na brincadeira, Lucas passou a demonstrar um lado mais doce, carinhoso e brincalhão. Pediu abraços, buscou proximidade e encontrou espaço para expressar afeto sem precisar recorrer à agressividade.
Naquele momento, o faz de conta permitiu que ele experimentasse uma maneira diferente de estar com os outros. Não precisava enfrentar ninguém, provar que era forte ou responder a uma provocação. Podia simplesmente brincar, receber carinho e participar do grupo.
Pertencer sem precisar revidar
A mudança não significou que todas as dificuldades desapareceram. Lucas ainda precisava aprender sobre limites, respeito ao espaço do outro e formas de demonstrar carinho nas relações. Esses aprendizados fazem parte de um processo cotidiano, que exige tempo, acompanhamento e oportunidades de experimentar novas respostas.
Mas algo importante já havia acontecido: ele descobriu que podia ocupar um lugar no grupo sendo carinhoso, espontâneo e brincalhão.
Essa experiência nos lembra que o comportamento de uma criança não conta toda a sua história. Por trás de uma reação agressiva, podem existir sofrimento, insegurança, medo de rejeição e uma tentativa de encontrar proteção.
Isso não significa ignorar os conflitos ou deixar de estabelecer limites. Significa olhar para a criança além do comportamento, compreender o que ela está vivendo e oferecer outras possibilidades de agir.
Como o Método Espiral contribui para esse processo?
No Núcleo Espiral, o brincar, o corpo, o universo simbólico e as relações em grupo são recursos importantes para o desenvolvimento da resiliência. As atividades permitem que crianças e adolescentes experimentem formas de expressão, reconheçam suas possibilidades e construam novas maneiras de se relacionar.
A história de Lucas mostra como uma brincadeira aparentemente simples pode abrir espaço para uma descoberta importante: não é preciso revidar para ser aceito.
Para que mais crianças tenham oportunidades de viver experiências como essa, o Núcleo Espiral conta com pessoas comprometidas com a prevenção da violência e a promoção de relações mais saudáveis.
Você também pode fazer parte dessa rede de cuidado!
O projeto de voluntariado do Núcleo Espiral está com inscrições abertas para pessoas interessadas em contribuir com o trabalho desenvolvido com crianças, adolescentes e famílias, presencialmente na cidade de São Paulo.
Nota: História inspirada em um caso real acompanhado por psicólogos e facilitadores do Núcleo Espiral. Para preservar a privacidade, os nomes foram alterados. As imagens utilizadas são ilustrativas (geradas por inteligência artificial).



