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Como o Brasil pode deixar de ser o país mais ansioso do mundo?

Segundo a OMS, 9,3% dos brasileiros sofrem de ansiedade. Medidas diárias, como o autocuidado, podem melhorar a qualidade de vida no país


Foto: Divulgacão

Será que vou conseguir? E se eu sair e for assaltada? E se eu cair daqui? E se algum desastre ocorrer? Você se identifica com esses pensamentos? Os sentimentos que surgem concomitante a eles são a ansiedade e o medo. São sentimentos que nos permitiram até hoje sobreviver, pois, a partir dos sinais de ameaça que o corpo recebe, o medo nos auxilia a atravessar situações consideradas perigosas e, portanto, tem uma função protetiva perante a vida.

Quando estamos na expectativa de algo bom, também mencionamos a palavra ansiedade. Porém, neste caso, traz uma conotação positiva. Assim como a antecipação, quando se refere a planejamento, faz a gente agir. Nessas condições, tem a função de nos dar o anseio e o impulso de ir atrás de nossos projetos, sonhos e aventuras. Isso permite nos prepararmos para o futuro, diante das circunstâncias que podem surgir.

Por outro lado, a ansiedade patológica pode paralisar a pessoa, de forma que ela não consiga realizar suas tarefas diárias.  Isso faz com que ela perca a capacidade de foco, concentração e, às vezes, busca recompensas momentâneas para aliviar essa inquietação. Nos casos mais extremos, crises de ansiedade podem vir a se tornar outros transtornos, como o pânico.

Em muitas ocasiões, aparecem manifestações no corpo: a agitação dos membros inferiores, sudorese, respiração ofegante, falta de ar, baixa concentração, insônia, irritabilidade, nervosismo, entre outras.

Segundo uma matéria que saiu recentemente na BBC, aproximadamente 9,3% dos brasileiros sofrem de ansiedade patológica, o que nos torna o país mais ansioso do mundo. Aqui, é importante ressaltar que, caso a pessoa perceba que há uma preocupação exacerbada com coisas futuras, a ponto de ficar paralisada, ela deve buscar a ajuda de um profissional da área da saúde mental.

Os maiores fatores que impactam diretamente no aumento da ansiedade são os contextos sociais e econômicos, como a alta taxa de desemprego, a falta de segurança pública, a instabilidade econômica, dentre outros.

Após a pandemia, a manifestação da ansiedade aumentou pelo medo constante da contaminação. O próprio isolamento também foi um fator agravante. Além disso, teve o uso crescente de dispositivos tecnológicos: seja pelo home office ou pela distração nas telas. Inclusive as crianças e adolescentes apresentam cada vez mais aspectos ansiosos pela utilização demasiada de aparelhos (smartphones, videogames, computadores, etc).

Importante ressaltar que todos os sintomas citados variam de pessoa para pessoa, pois existem os fatores sociais, biológicos e psíquicos, além da história de vida de cada indivíduo. Ou seja, composição genética, criação na infância, traumas vividos e ambientes frequentados são aspectos que interferem na ansiedade.

No Núcleo Espiral, trabalhamos diretamente com o pilar de resiliência, ajudando os pacientes a ressignificarem os desequilíbrios que ocorrem internamente e externamente. Outro pilar que trabalhamos é o corpo, pois entendemos que é um terreno fértil para elaboração de novas experiências. Esses pilares têm a função de ampliar recursos de autocuidado.

Assim, para auxiliar na busca de uma vida menos ansiosa, com mais responsabilidade e autocuidado, é imprescindível começar um processo de autoconhecimento. Desta forma, entende-se quais são as necessidades que surgem em determinadas situações e as possíveis estratégias que podem ser usadas nesses momentos de maior ansiedade.

Pessoas ansiosas sentem um medo constante de algo que pode vir a acontecer. Por isso, as práticas que cultivam a atenção no aqui e no agora são fundamentais para conectar mente e corpo. Como exemplos, podemos citar exercícios de respiração; práticas de meditação (hoje em dia, há vídeos no YouTube de práticas meditativas); atividades físicas; diminuição do uso de telas; visitação a parques e áreas verdes, bem como encontros com pessoas queridas.

Lembra-se das perguntas no início do texto? Que tal mudar os pensamentos do começo para “Como estou me sentindo agora?” “Como está o meu corpo?”.


Autora: Ariela Kalili Psicóloga, educadora, aprimorada em Desenvolvimento Humano para infância e adolescência pelo HCFMUSP, pós-graduanda em Educação Sistêmica pela Pedagogia Para Liberdade. Coordenadora da Área de Assistência Psicológica e Formadora de Educadores no Núcleo Espiral


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