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Combate e prevenção aos maus-tratos contra crianças e adolescentes: Como podemos ajudar?

Atualizado: 4 de abr.

Para prevenir a violência, é importante compreender o significado desse problema. Muitas manifestações são “invisíveis”; saiba como identificá-las


Foto: Freepik

Abril é o mês de combate e prevenção aos maus-tratos contra crianças e adolescentes. No último dia 25, celebramos o Dia Internacional da Luta pela Erradicação, dessa forma de violência que atinge meninos e meninas em todo o mundo.

Mas afinal, o que são abusos e maus-tratos? Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são todas as formas de lesão física ou psicológica, abuso sexual, negligência ou tratamento negligente, exploração comercial ou qualquer tipo de exploração que resulte em danos à saúde, sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade da criança. Resumindo, é submeter menores de 18 anos a abusos que podem se manifestar de diferentes maneiras.

Os maus-tratos nem sempre deixam marcas visíveis no corpo, mas deixam cicatrizes no desenvolvimento das crianças e ao longo de suas vidas. Destacam-se problemas como depressão, agressividade, abuso de drogas e questões de saúde, que podem persistir mesmo anos após o término dos episódios de violência.

Cenário no Brasil

No Brasil, os números são preocupantes. Em 2021, foram registrados quase 20 mil casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes: um aumento de 21% em relação a 2020, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os registros de abandono de incapaz, pornografia infanto-juvenil e exploração sexual infantil também apresentaram aumento, enquanto as mortes violentas de crianças e adolescentes diminuíram 15%.

Esses dados revelam que a violência, na maioria dos casos, ocorre dentro de casa, com 70% dos maus-tratos acontecendo no ambiente familiar e 63,2% dos casos sendo cometidos pelos próprios pais ou mães das crianças. Além disso, as meninas são mais afetadas pelos maus-tratos do que os meninos, representando 56,2% dos casos.

As crianças e os adolescentes sofrem violência física e psicológica. Há relatos de agressões, constrangimentos, tortura física, assédio, exposição a riscos à saúde e coação, que se manifestam de diferentes formas:

  1. Abuso emocional/psicológico: são atitudes que fazem a criança ou adolescente se sentir desvalorizado ou humilhado. É uma forma mais sutil de violência que pode passar despercebida. O isolamento, privando-os de interações saudáveis com pessoas significativas em suas vidas, também é uma forma de abuso;

  2. Abandono/negligência: ocorre quando os direitos básicos das crianças e dos adolescentes são ignorados. Isso inclui negligenciar suas necessidades de higiene, descanso, alimentação e acesso à saúde, incluindo tratamentos especializados essenciais para seu desenvolvimento adequado e estímulo precoce;

  3. Abuso físico: qualquer tipo de agressão física contra a criança ou adolescente, seja com ou sem o uso de objetos. Além dos danos físicos imediatos, pode prejudicar o desenvolvimento orgânico e cerebral dos jovens e, em casos extremos, ser fatal;

  4. Abuso sexual: Envolve o uso de crianças e adolescentes para satisfação sexual de outra pessoa, aproveitando-se de sua inocência, falta de autonomia ou vínculo afetivo. Esse tipo de abuso muitas vezes só é revelado anos após sua ocorrência, devido ao medo ou à confusão entre o abuso e demonstrações de afeto.

Como mudar esse cenário?

Para prevenir a violência, é importante compreender o significado desse problema. A ONU reconhece que a violência também pode se manifestar de maneiras invisíveis e sistêmicas. Nesses casos, os impactos são difíceis de quantificar. Afinal, como podemos mensurar a dor de ser menosprezado na infância ou não conviver com os próprios pais?

Aqui estão algumas estratégias que podem ajudar na prevenção da violência, com base nas recomendações da ONU e na metodologia Espiral:

  1. Desenvolver relações seguras, estáveis e saudáveis entre crianças e seus pais e cuidadores, promovendo um ambiente familiar acolhedor;

  2. Estimular o desenvolvimento de habilidades de vida nas crianças e nos adolescentes, capacitando-os para que se tornem protagonistas de suas vidas;

  3. Reduzir o acesso ao álcool, evitando o uso prejudicial que pode levar a comportamentos violentos;

  4. Limitar o acesso a armas, facas e pesticidas, reduzindo os riscos de utilização desses objetos em atos de violência;

  5. Promover a igualdade de gênero como forma de prevenir a violência contra mulheres, combatendo estereótipos e discriminações;

  6. Mudar normas culturais e sociais que perpetuam a violência, incentivando uma cultura de paz, respeito e diálogo;

  7. Criar programas que identifiquem, cuidem e apoiem as vítimas de violência, oferecendo suporte adequado para sua recuperação;

  8. Investir no autocuidado, fornecendo recursos e orientações para que as pessoas aprendam a se cuidar e enfrentar situações difíceis;

  9. Investir e desenvolver recursos de resiliência, fortalecendo a capacidade das crianças e dos adolescentes de enfrentar adversidades e superar traumas.

Adotar essas estratégias pode contribuir para a construção de um ambiente mais seguro e saudável, promovendo o bem-estar e o desenvolvimento das crianças e adolescentes.

Juntos, podemos criar uma sociedade em que todos tenham a oportunidade de crescer e prosperar livremente, livres da violência.


Autoras:

Carol Troque Designer da área de Comunicação do Renovar da ONG Núcleo Espiral;

Juliana Ayres

Diretora de relações institucionais do Núcleo Espiral. Empresária com experiência nas áreas financeira, de qualidade e comercial, atua na ONG para viabilizar projetos e captação de recursos.


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