A coragem de se mostrar!
Algumas adolescentes parecem carregar um mundo inteiro escondido atrás de uma expressão contida, evitando a todo custo qualquer conversa sobre si mesmas. Era exatamente assim que a Ana, de 14 anos, se apresentava no início da nossa jornada.

Logo na primeira atividade, pedimos que os participantes colorissem uma mandala com a silhueta do corpo humano para representar seus sentimentos. Ana foi extremamente distante: preencheu a figura como se estivesse desenhando outra pessoa. As cores escolhidas indicavam uma neutralidade aparente, mas que escondia uma profunda desconexão emocional.
Ana dizia quase sempre que não queria participar de nenhuma atividade. Mas, com paciência, incentivo e uma dose de insistência carinhosa da equipe, ela acabava cedendo. Entendemos que sua recusa não era apenas desinteresse, mas um teste velado para confirmar se sua presença realmente fazia diferença para nós.
O ponto de virada: a mandala de fogo
O ponto de virada veio na atividade da "Mandala de Fogo", feita com giz e velas para extravasar emoções densas como a raiva. Ana mergulhou na proposta e liberou algo profundo: a cor vermelha tomou conta de sua criação com muita intensidade. Em certo momento, ela desafiou os limites ao tentar aumentar a chama da vela com um colega, em um claro movimento de quem precisava ser notada e buscar conexões.
No último encontro, quando revisitamos a mandala do corpo humano, Ana não se escondeu atrás de ninguém. Sua nova criação mapeou seus sentimentos reais: usou o vermelho na cabeça para a raiva, o amarelo para a ansiedade, o azul para a fome e o marrom para a inquietação. Pela primeira vez, ela deu nome às próprias emoções.
Dando nome ao que sentia
Ana começou protegendo seu mundo interior com uma resistência que, na verdade, era um pedido de cuidado. Ao final, ela encontrou a coragem de se olhar e se mostrar.
No Núcleo Espiral, nós acreditamos no tempo de cada jovem e insistimos com afeto para que nenhum deles precise se isolar do mundo.
Nota: História inspirada em um caso real acompanhado por psicólogos e facilitadores do Núcleo Espiral. Para preservar a privacidade, os nomes foram alterados. As imagens utilizadas são ilustrativas (geradas por inteligência artificial).


