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Educação pelo terror, o terror da educação!

Foto: Divulgação
“A educação pelo medo deforma a alma” (Coelho Neto, escritor brasileiro)

O medo é o sentimento mais antigo e inerente ao ser humano. Ele teve sua expressiva importância na nossa evolução, pois foi ferramenta fundamental para enfrentar perigos com cautela e estratégia, desenvolvendo, assim, as inteligências e garantindo a sobrevivência.

No entanto, o que tratamos aqui é do medo ao extremo, o terror, o pavor, o medo usado como forma de “educação” ou controle do sujeito, sobretudo de crianças. Em nossa cultura, desde a infância, somos atravessados por ensinamentos por meio do medo. Basta lembrar as cantigas infantis populares e os personagens, como a bruxa, o bicho-papão, o “homem do saco”, entre tantos outros. Eles quase sempre são usados para assustar e impor limites. Infelizmente, em nossa sociedade, ainda persiste diversas formas de usar o terror como processo educativo, seja por meio de ameaças ou violências psicológicas e físicas.

É necessário ter ciência de que as crianças, principalmente, na primeira infância, não diferenciam com nitidez a fantasia e o lúdico (o faz de conta) da realidade. Portanto, provocar intencionalmente situações de medo e pavor, para que elas aprendam alguma lição, pode causar exatamente o efeito contrário. Isso pode desencadear possíveis traumas e inseguranças, uma vez que o adulto é a referência delas.

Mas porque ainda essa ideia de educar pelo medo atrai tanto? Isso ocorre pela ideia do controle do outro. As pessoas acham que é um caminho mais fácil.

Para enfrentar o “método educativo de terror”, devemos retomar a origem da palavra educação. Ela significa instruir, guiar e conduzir. Educar é um dos atos mais civilizatórios de todos. O processo educativo deve ser horizontal, olho no olho, sincero e verdadeiro. Podemos ter autoridade sem autoritarismo. Ser referências de confiança e não de medo.


Autor: Josenildo Luiz Gonzaga

Pedagogo, educador social,  pós-graduado em Educação em Direitos Humanos (UFABC), pós-graduado em Pedagogia Social (USP). Coordenador no projeto Renovar- Núcleo Espiral.



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