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Assédio: a culpa não é minha

O assédio é um tema que costuma ser discutido principalmente no contexto adulto. No entanto, é essencial lembrar que as crianças também podem ser vítimas ou testemunhas desse comportamento prejudicial.


Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Infelizmente, o assédio infantil é mais comum do que muitos imaginam, ocorrendo em diferentes lugares e contextos, afetando crianças de todas as idades, gêneros e origens. Essa realidade pode ter efeitos profundos e duradouros na vida dessas crianças.

Imagine a seguinte situação: uma criança está brincando despreocupadamente em um parque quando, de repente, um adulto começa a fazer comentários ou gestos inapropriados, especialmente se a criança estiver vestindo roupas consideradas curtas ou usando maquiagem.

Essa situação pode ser assustadora e extremamente confusa para a criança, que, muitas vezes, não compreende o que está acontecendo. Ela pode se sentir envergonhada, culpada e até mesmo começar a questionar se fez algo errado.

É fundamental compreender e reforçar que a culpa não é da criança. O fato de uma criança usar roupas bonitas, curtas ou maquiagem não é, de forma alguma, um convite para o assédio. O comportamento inadequado dos adultos não deve ser justificado, ou legitimado, pela forma como uma criança se veste ou se expressa. As crianças têm o direito fundamental de se vestir e se expressar de acordo com sua identidade e personalidade, sem medo de serem vítimas de abuso.

Nesse contexto, é imprescindível que os pais e cuidadores estejam atentos a qualquer sinal de comportamento abusivo. É necessário ensinar as crianças sobre seus corpos, seus limites pessoais e auxiliá-las a reconhecer o que é inadequado. Além disso, é importante encorajá-las a compartilhar suas experiências com alguém em quem confiem, seja um adulto da família, um professor ou um conselheiro. Ao fornecer um ambiente seguro e acolhedor para que elas se expressem, estamos criando um espaço propício para o diálogo e o apoio necessário.

É crucial destacar que as crianças não devem sentir vergonha ou medo de falar sobre o assédio que sofreram. Elas têm o direito de dizer “não” e pedir ajuda caso se sintam desconfortáveis ou ameaçadas. É fundamental reforçar constantemente que elas não são responsáveis pelo comportamento abusivo do agressor. Em vez disso, devem ser encorajadas a buscar apoio e proteção, garantindo que se sintam seguras e amparadas em sua jornada de crescimento.

Para combater efetivamente o assédio infantil, é necessário buscar a justiça. Os agressores devem ser responsabilizados por suas ações, e a sociedade como um todo deve se mobilizar para garantir que as crianças sejam protegidas de todas as formas possíveis. Isso envolve a implementação de políticas públicas abrangentes, a promoção de campanhas de conscientização e a educação continuada sobre a importância de um ambiente seguro para o desenvolvimento saudável das crianças.

Precisamos criar um ambiente seguro, respeitoso e livre de assédio, no qual todas as crianças possam brincar, aprender e crescer felizes. Somente por meio de um esforço coletivo e contínuo seremos capazes de garantir que nossas crianças estejam protegidas e tenham a oportunidade de se tornarem adultos confiantes e saudáveis.


Autora: Carol Troque Designer da área de Comunicação do Renovar da ONG Núcleo Espiral.


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