Cinco dicas para transformar a rotina da criança mais aprazível durante o confinamento

abr 14, 2021

Texto por Guilherme Silveira Caltabellotta, coordenador da Clínica Espiral


Mesmo com a campanha de vacinação em andamento no Brasil, nós, brasileiros, ainda vivemos um momento bastante difícil em relação à pandemia de coronavírus, considerando uma elevada média móvel de óbitos diários nas últimas semanas. E, infelizmente, não sabemos quando poderemos voltar à nossa “rotina normal”.

Além dos efeitos devastadores para a saúde e economia, os números assustadores em relação à Covid-19 também prolongam o confinamento em casa, tanto dos pais como dos filhos. 

Por isso, é importante criar um ambiente doméstico aprazível para todos, principalmente às crianças, que também sofrem muito por estarem confinadas neste momento tão difícil pelo qual estamos passando. 

Partindo da minha experiência como coordenador da Clínica Espiral, projeto que oferece atendimentos psicológicos a crianças vítimas de violência, sugiro cinco ações simples e assertivas para transformar o seu lar em um lugar harmonioso e acolhedor.

 

1. Seja paciente

A primeira coisa que digo aos pais ou responsáveis é que sejam pacientes com as crianças. É fato que este momento é potencialmente estressor, não só pelo medo do vírus, mas também por questões financeiras. É uma situação que, muito provavelmente, deixa todos com o emocional desestabilizado.

Por isso, é importante que os adultos cuidem de si próprios e entendam os seus limites, pois somente quando cuidamos de nós, da melhor maneira que pudermos, conseguimos cuidar de maneira mais adequada das crianças que convivem conosco.

Além disso, as crianças percebem quando os pais ficam diferentes com elas. É fundamental explicar e conversar com a criança sobre os motivos desse estresse, de maneira simples e de acordo com as capacidades de compreensão dela.

Outra coisa que deve ser ressaltada é a demonstração de sentimentos. Caso você sinta que vá “explodir” com algo do trabalho ou qualquer outro problema, tente não agir de maneira impulsiva e raivosa na frente da criança. Afaste-se dela para externar a sua irritação.

2. Divida responsabilidades

A criança precisa de atenção. Ignorá-la de maneira constante e sistemática pode acarretar em sentimentos e fantasias que são de difícil elaboração para ela. Caso não possa dar atenção para a criança no momento que ela pede, é importante explicar os motivos de não poder fazer isso e combinar um outro momento para poderem atender àquilo que ela pede, se for pertinente. Por isso, é essencial que os pais dividam suas obrigações profissionais e domésticas, de maneira que um sempre esteja livre para cuidar da criança. Isso é fundamental para não sobrecarregar um dos integrantes do casal.

No caso de pais solteiros ou mães solteiras, obviamente esta situação fica mais difícil, mas, ainda assim, é possível conversar com os filhos. “Agora, o pai ou a mãe precisa trabalhar. Quer brincar de trabalhar comigo?”. E, então, o adulto pode montar um escritório de mentira para a criança, por exemplo. Assim, a deixará ocupada e, ao mesmo tempo, mostrará o quanto aquela atividade remunerada é importante para ela própria.

3. Converse com a criança

É fundamental que os pais perguntem aos seus filhos o que eles estão sentindo sobre este momento pandêmico. Crianças são seres humanos em desenvolvimento e cada fase da infância possui uma demanda diferente. É preciso identificá-la e supri-la.

Além de conversar com os filhos, também é recomendável que os adultos leiam conteúdos relacionados à educação infantil, converse com os professores da escolinha e até mesmo fale com outros pais que estejam passando pela mesma situação. Essa troca de experiência é primordial para a melhora de quaisquer lares.

Quando os pais conhecem melhor a criança, fica mais fácil compreender possíveis anormalidades, como: ela está quieta demais ou agitada mais do que o normal. Com a percepção imediata, a chance de chegar à raiz deste provável problema é maior. E, assim, fica mais fácil resolvê-lo também.

4. Exercite a sua criatividade e a da criança

Obviamente que o confinamento promove algumas alterações no dia a dia de todos. As crianças, neste momento em que algumas cidades estão em uma fase mais restritiva, não podem ir para a escola e sequer brincar com os amiguinhos em áreas de convívio social, como playgrounds de condomínios, por exemplo.

É nesta hora que os adultos precisam ser criativos. Não dá para ir a uma praia no final de semana? Simule uma na sua casa! Use baldes, pazinhas e outras coisas que seus filhos geralmente levam para o litoral! A casa pode, sim, ser um ambiente simbólico e imaginário. Basta usar e abusar da criatividade! Há uma infinidade de brincadeiras que podem ser feitas com objetos encontrados no lar. Pesquise na internet e se inspire!  Você pode acessar, por exemplo, o Instagram do Núcleo Espiral. Temos diversas dicas simples e criativas de atividades.

5. Não seja impositivo

Por fim, gostaria de ressaltar que toda esta organização da casa, em tempos de confinamento, deve ser feita em conjunto com a criança. É importante que ela participe das decisões que afetam diretamente a vida dela. Como disse anteriormente, os pais precisam ouvir os filhos, entender as suas necessidades e saber como lidar com esta situação, de forma que o lar seja agradável para todos.

 

Espero que as dicas sejam úteis. E lembre-se, em caso de problemas mais sérios, nunca abra mão de um auxílio profissional!