A importância do autocuidado em tempos de pandemia

abr 24, 2021

Por Ingryd Abrão, diretora operacional do Núcleo Espiral 

Completamos um ano de pandemia no Brasil. Durante este período, você já deve ter escutado, muitas vezes, a frase (ou algo semelhante): “Cuide-se e cuide dos outros também”. Isso porque, em meio à pior crise sanitária de nossa geração, o cuidado precisa ser realmente redobrado. 

Quando falamos de cuidado, estamos nos referindo, obviamente, aos protocolos de segurança para evitar a disseminação do vírus, mas, também, à necessidade de demonstrar carinho e afeto ao próximo em um momento tão complicado como o atual. 

Por isso, como diretora operacional do Núcleo Espiral, resolvi escrever este texto e mostrar o quanto é importante o autocuidado, pois, somente assim, também teremos um olhar mais atento aos outros – especialmente às crianças, as mais afetadas e fragilizadas neste “novo normal”.  

O que é autocuidado? 

Em poucas palavras, autocuidado é o cuidado consigo mesmo, o olhar para si, para seus pensamentos, sentimentos e suas emoções, buscar se conhecer, entender as suas próprias necessidades e trabalhar em cima delas a fim de supri-las. Nós, do Núcleo Espiral, entendemos que para cuidar um dos outros, primeiro é necessário que cuidemos de nós mesmos. Inclusive, passamos tal percepção nas formações de educadores que atuam com crianças e adolescentes em vulnerabilidade. 

Afinal, quando um educador se conhece e pratica o autocuidado, a tendência é que ele tenha mais empatia e um olhar mais respeitoso em relação ao público atendido. Isso também vale para os pais, que, em um momento de home office e aulas online, ficam ainda mais tempo com seus filhos. 

Para você se autocuidar, algumas dicas são fundamentais:

  • Coloque limites a si próprio, sendo coerente consigo mesmo, levando em conta tarefas que convém ou não dar conta; 
  • Identifique suas necessidades físicas e emocionais, assim como dos integrantes do seu lar e procure supri-las; 
  • Estruture uma rotina e a siga, separando os momentos pessoais dos profissionais;
  • Combine e divida as tarefas de casa com os integrantes do mesmo ambiente para ficar mais leve a todos;
  • Permita-se momentos livres;
  • Pratique exercícios de relaxamento voltados para as sensações do próprio corpo, como: meditação, mindfulness e respiração; 
  • Esteja atento ao excesso de informações e as filtre, separando as que são úteis e o tempo gasto em cada uma delas. Desconecte-se à medida do possível das redes sociais e do celular;
  • Pratique atividade física e/ou qualquer atividade prazerosa;
  • Identifique quando não estiver bem e busque ajuda sempre que preciso;
  • Faça terapia para trabalhar traumas, dificuldades e/ou possibilitar o autoconhecimento.

O autocuidado e a atenção às crianças 

Além das sugestões supracitadas, o autocuidado é feito por meio de perguntas feitas a nós mesmos, como: “Estou tendo reações incomuns?”, “Estou tendo sintomas diferentes?”, “Meu sono está normal?”, “Qual é o meu nível de ansiedade?”, entre outras. 

Caso a pessoa chegue à conclusão de que há algo incomodando, porém não sabe como resolver tal problema, o indicado é buscar a ajuda de um profissional qualificado. Desta forma, as dificuldades poderão ser transformadas em novas possibilidades, o que impactará positivamente no lar e na vida de quem vive nele. Obviamente, as crianças estão completamente inseridas neste cenário. 

Por falar nelas, como dissemos anteriormente, o cuidado em relação aos filhos ou outros dependentes (sobrinhos, netos, etc.) não pode ficar limitado à proteção contra a Covid-19. É preciso, também, entender e atender as necessidades emocionais e sociais das crianças, adaptando-as para o contexto em que estamos vivendo e tomando todas as precauções. 

Os pais ou responsáveis necessitam ficar atentos a situações, como: mudanças repentinas de humor, problemas de aprendizagem, baixa autoestima, agressividade, apatia, depressão, doenças psicossomáticas, hipo ou hiperatividade, atitudes regredidas, déficit no desenvolvimento, etc. Em uma destas situações, também é recomendável procurar um especialista. 

Dicas que podem ajudar nesta atenção às crianças: 

  • Auxilie a criança a identificar as expressões de suas emoções, como: tristeza, irritação, raiva, medo, dor, vergonha, retraimento e choro, sabendo acolher e a ajudando a regular estas emoções, dando colo, conversando, explicando e abraçando; 
  • Ouça o que ela diz, sem julgamentos. De modo, que se sinta segura; 
  • Não reaja de modo a aumentar a angústia dela;
  • Tome tempo para a criança, dando atenção exclusiva;
  • Seja afetuoso em suas relações, pois a criança absorve muito de seu ambiente. 

Por fim, tenha muito cuidado com o seu tempo de tela, bem como o da criança. Hoje, é comum que os pais fiquem muito tempo em frente ao computador, TV, smartphone, entre outros dispositivos, e isso influencia diretamente os filhos. Não só pelo exemplo que os adultos dão, mas também, por muitas vezes, tais aparelhos serem usados como a única distração das crianças. 

Esse é o mal da humanidade. É importante trabalhar com regras e limites, estabelecendo um período específico para o uso dos dispositivos. Tal tempo pode ser conversado e acordado com a própria criança. 

Forneça ao seu filho outras opções de entretenimento que também sejam atrativas. Conscientize-o sobre os riscos de ficar muito tempo em frente a uma tela. Proponha brincadeiras e atividades coletivas. Assim, promoverá interação, prazer e alegria no ambiente familiar.